Se tivéssemos que escolher um só jogo como o mais influente dos últimos tempos, este sem dúvidas seria Fortnite Battle Royale. No âmbito do ócio eletrônico as tendências mudam num ritmo impossível de seguir pelos meios informativos generalistas. Daí que possa chegar a surpreender o fato de que este jogo, apesar de ser desconhecido para quem não segue o mundo dos jogos, seja o mais seguido pela Internet, ostentando inclusive recordes de visualizações simultâneas no Twitch e YouTube, além de ser jogado por milhões de jogadores em todo o mundo, obtendo enormes benefícios monetários mesmo se tratando de um título gratuito. Vejamos as coisas com perspectiva: Minecraft já tem 11 anos.

De PLAYERUNKNOWN’S a Fortnite

O gênero dos Battle Royale chegou ao imaginário popular no começo de 2017 graças a PLAYERUNKNOWN’S BATTLEGROUNDS (PUBG), um jogo bélico Free-to-Play (ou seja, gratuito, mas podemos comprar benefícios in-game) onde 100 jogadores devem lutar entre si enquanto uma cúpula invisível vai reduzindo o tamanho do terreno de jogo constantemente. O jogo da Bluehole Entertainment se converteu no mais jogado do Steam – a plataforma mais importante de jogos para PC – durante vários meses, alcançando os 3.2 milhões de jogadores simultâneos em janeiro deste ano.

A história de Fortnite vem indiscutivelmente deste sucesso. Este jogo foi lançado pelos estúdios Epic Games e People can Fly em julho de 2017 para PC e consoles, apesar de seu sistema de combate ser, então, totalmente diferente. O modo de jogo principal nos colocava para colaborar com outros jogadores para acabar com hordas de zumbis enquanto fortificávamos nossas bases de operações. Como jogo pago, em apenas dois meses vendeu mais de um milhão de unidades, mas o verdadeiro sucesso estava ainda para chegar. Em agosto do mesmo ano se lançou Fortnite Battle Royale, uma variante do jogo e desta vez Free-to-Play, cujo sistema de batalha copiava em muitíssimos aspectos a fórmula de PUBG.

A rivalidade entre ambos os jogos esteve presente durante os últimos meses, apesar de que com a chegada de 2018 um claro vencedor apareceu. Já em fevereiro, a href=”http://www.epicgames.com/fortnite/en-US/news/postmortem-of-service-outage-at-3-4m-ccu”>Fortnite superou o recorde de jogadores simultâneos de PUBG, mas seus números continuaram crescendo vertiginosamente desde então. Sem ir mais longe, o conhecido ElRubius bateu o recorde mundial de visualizações de uma transmissão ao vivo com um milhão de espectadores graças a uma partida onde participaram várias celebridades da plataforma de vídeos. Estes feitos se traduzem em uma difusão midiática que abarca diversos âmbitos, com jogadores de futebol celebrando gols fazendo gestos de jogo ou famosos como o rapper Drake difundindo abertamente sua afeição.

A batalha chega aos dispositivos móveis

Atualmente os dispositivos móveis são quase tão valorizados na hora de jogar como os próprios consoles. Uptodown, o maior marketplace alternativo de aplicativos Android, realizou no fim de 2017 um informe com base nos mais de um bilhão de usuários únicos recebidos ao longo do ano onde afirmava que mais de 40% dos entrevistados já preferia jogar em smartphones jogos que já foram de outros dispositivos anteriormente. Com estes dados presentes é normal que tanto Epic Games como Bluehole quisessem levar suas galinhas dos ovos de ouros ao dito terreno.

O primeiro a fazer a migração foi PLAYERUNKNOWN’S BATTLEGROUNDS, que graças a um acordo com a gigante empresarial Tencent lançaram em fevereiro deste ano dois jogos para iOS e Android baseados na marca em território asiático, para um mês depois lançar a versão internacional de um deles. O processo pode ter sido acelerado devido a Fortnite também ter entrado em cena, que também após uma fase fechada de beta lançou a versão aberta de seu jogo para iOS no último 2 de abril, além de anunciar o iminente lançamento da edição para Android. Só nos dispositivos da Apple, Fortnite está gerando atualmente 1.8 milhões graças à compra de elementos estéticos dentro do jogo, já que se trata de um jogo gratuito. Em apenas duas semanas já foi baixado por 11 milhões de usuários.

O principal problema que estão encontrando ambas as desenvolvedoras é na proliferação de clones e cópias ilegítimas de suas obras. Para tentar diminuir este problema, os criadores de PUBG optaram pela via judicial denunciando vários títulos criados pela empresa NetEase, que casualmente é a principal competidora da Tencent, possuidora dos direitos de distribuição do jogo na Ásia. Epic Games, por hora, optou por se manter à margem mesmo existindo cópias óbvias de seu jogo também provenientes da Ásia. De fato, estas cópias para dispositivos móveis estão seguindo o caminho contrário, lançando ports para PC dos jogos inicialmente criados para iOS e Android, e assim estão plantando batalha tal como demonstram obras oportunistas como Rules of Survival.

(Fonte: Sensortower)

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